Crédito imobiliário registra aumento de 113% na região.
O setor imobiliário tem motivos para comemorar o primeiro semestre de 2010 na região de Campinas. Balanço da Superintendência Regional da Caixa Econômica Federal, principal agente financiador do setor, divulgado ontem, mostrou que a evolução do crédito imobiliário nos seis primeiros meses de 2010 foi de 113% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume financiado foi de R$ 839 milhões para 11.212 unidades. O valor do semestre representou 85,62% de todo o ano passado, quando os empréstimos atingiram R$ 980 milhões.
O desempenho da região, que abrange 23 municípios, foi melhor do que o índice nacional, de 95% de crescimento, e o do Estado de São Paulo, com avanço de 72% frente ao acumulado de janeiro a junho de 2009.
A regional ainda figurou na liderança, segundo a Caixa local, entre as 78 regionais no País na contratação de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, para o público na faixa de três a dez salários mínimos. De abril do ano passado até junho de 2010, foram assinados acordos para a construção de 10.130 unidades com crédito imobiliário no valor de R$ 1,2 bilhão.
Os empreendimentos para o trabalhador com renda familiar de zero a três salários mínimos somaram 6.042 unidades, com um volume de R$ 400 milhões. O programa ainda tem em análise mais 144 projetos, com financiamento de R$ 2,821 bilhões. De acordo com a Caixa, na faixa de zero a três salários mínimos serão mais 7 mil unidades.
Apenas as cidades de Campinas e Hortolândia têm até agora projetos sendo executados para esse público. Mas a expectativa é de que em breve sejam lançados conjuntos habitacionais nessa faixa em cidades como Jaguariúna, Sumaré, Santa Bárbara d’Oeste e Vinhedo.
O superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Paulo Galli, afirmou que o Minha Casa, Minha Vida tem projetos em andamento em dez dos 23 municípios que compõem a regional. “O nosso objetivo é ampliar o programa em toda a nossa regional. Os projetos em análise serão executados em diversas cidades. Do total de 23 municípios que formam a região, 18 deles estão na Região Metropolitana de Campinas”, disse.
Galli afirmou que a regional aumentou a participação sobre o total de financiamentos realizados pelo banco no Estado de São Paulo. “No primeiro semestre de 2009, o volume da nossa regional representou 7,9%. No acumulado de janeiro a junho deste ano, a participação subiu para 9,21%”, comentou.
O executivo destacou que a regional cresceu mais que o restante do País e o dado indica a força do segmento imobiliário de Campinas e das cidades da região. Ele estimou que este ano o crédito imobiliário deve fechar em R$ 2 bilhões e o próximo ano deve apresentar um resultado, no mínimo, igual a 2010.
Recursos
Galli ressaltou que não haverá falta de recursos para custear o desenvolvimento do setor e que a Caixa buscará outras fontes. Hoje, os dois principais suportes de dinheiro para a carteira imobiliária são o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
No primeiro semestre deste ano, o volume de recursos do FGTS somou R$ 474,566 milhões e o SBPE respondeu por R$ 364,421 milhões.
“Não há nenhuma possibilidade de escassez de recursos para financiar a compra da casa própria. Há opções que a Caixa poderá utilizar, se for necessário, para captar dinheiro para o crédito imobiliário”, garantiu o superintendente, que apontou o Minha Casa, Minha Vida como uma das alavancas do setor.
Na região de Campinas, 18 construtoras executam projetos do programa e 64 mil pessoas foram atendidas, conforme a Caixa Econômica.
Os casais jovens, com idade entre 24 e 35 anos, estão puxando os empréstimos para a compra da casa própria na região. Galli disse que os imóveis com dois dormitórios são os mais procurados. “Antes, as famílias buscavam por imóveis com pelo menos três quartos. Hoje, como os casais são jovens e geralmente ainda não têm filhos, os produtos com dois dormitórios são os mais procurados”, comentou. O valor médio financiado no semestre foi de R$ 45 mil, que, segundo o banco, representou 58% do valor do imóvel.
Os prédios, diz o superintendente, constituem a maior parte dos empreendimentos lançados pelas construtoras. “A terra em Campinas e na região tem custo elevado”, observou. Ele afirmou que os valores dos imóveis estão chegando a um ponto de estabilidade. Os preços praticados hoje, disse, indicam uma recuperação de valor e não um processo inflacionário.
Galli afirmou que a inadimplência no crédito imobiliário está em queda na regional. O índice era de 6,37% do total da carteira em dezembro de 2009 e caiu para 4,76% em maio de 2010.
SAIBA MAIS
Dados do crédito imobiliário no primeiro semestre:
BRASIL
Ano 2009
Unidades: 351.541
Recursos: R$ 17,5 bilhões
Ano 2010
Unidades: 575.232
Recursos: R$ 34,01 bilhões
Variação: 95%
ESTADO DE SÃO PAULO
Ano 2009
Unidades: 110.450
Recursos: R$ 5,3 bilhões
Ano 2010
Unidades: 128.874
Recursos: R$ 9,1 bilhões
Variação: 72%
REGIONAL CAMPINAS
Ano 2009
Unidades: 7.890
Recursos: R$ 394 milhões
Ano 2010
Unidades: 11.212
Recursos: R$ 839 milhões
Variação: 113%
autor: Adriana Leite
Fonte: Correio Popular